Por que o preço por unidade importa mais que o preço do pacote
Duas lojas anunciam R$ 49,90. Uma entrega 500 seguidores e a outra 1.000. O número que resolve essa comparação quase nunca está na tela.
Abra três sites que vendem seguidores e compare. Você vai encontrar valores parecidos em destaque — R$ 39,90, R$ 49,90, R$ 89,90 — e vai levar um bom tempo para descobrir quanto cada um entrega por esse valor.
Isso não é acidente. Total é o número que vende; unitário é o número que compara.
A conta que ninguém mostra
O preço por unidade é o total dividido pela quantidade. Em seguidores, ele costuma cair na casa dos centavos, e é justamente por isso que quase nenhuma loja o publica: com duas casas decimais, R$ 0,0629 e R$ 0,0462 aparecem os dois como "R$ 0,06", e a comparação morre ali.
Por isso este site imprime o unitário com quatro casas em todas as tabelas. Não é preciosismo: é a quantidade de dígitos necessária para a diferença aparecer.
O desconto por volume, e como ele pode mentir
Quase todo catálogo promete que "quanto maior o pacote, menor o preço por unidade". Vale conferir, porque essa promessa quebra sozinha com uma frequência surpreendente.
O motivo é o arredondamento. Lojas terminam preço em ,90 — R$ 62,90, R$ 149,90, R$ 1.049,90 — e esse arredondamento tira alguns centavos de cada valor. Em pacotes grandes, alguns centavos não fazem diferença. Em pacotes pequenos, fazem.
Quando o desconto por volume atinge um teto e para de crescer, dois degraus vizinhos ficam proporcionais entre si. Aí o arredondamento passa a pesar mais no pacote menor, e o resultado é um pacote maior com unitário pior que o do pacote abaixo dele.
A diferença é de centésimos de por cento — invisível se você só olha o total, óbvia se a tabela imprime o unitário. É o tipo de defeito que sobrevive anos num catálogo justamente porque a coluna que o revelaria não existe.
Uma escada de volume que pune o volume não é um detalhe de arredondamento. É a única coluna do site que o cliente consegue auditar sozinho.
O que fazer com esse número
Sabendo o unitário, três decisões ficam simples:
- Comparar lojas. Total contra total não diz nada quando as quantidades diferem. Unitário contra unitário resolve em dois segundos.
- Escolher o degrau. Se o lote seguinte custa R$ 40 a mais e entrega 1.500 unidades a mais, a pergunta deixa de ser "cabe no bolso?" e vira "esse salto faz sentido para o tamanho atual do perfil?".
- Entender o que a linha mais cara cobra. Aqui a diferença entre Start e Pro é de 45%. Saber disso em cima do unitário deixa claro o que está sendo pago: um filtro de atividade recente, não uma contagem diferente.
Um aviso sobre o valor riscado
Preço riscado ao lado do preço atual é o recurso mais usado e mais vazio do comércio eletrônico. Ele só significa alguma coisa se o valor riscado tiver existido de verdade — caso contrário é publicidade enganosa, e o artigo 37 do Código de Defesa do Consumidor trata disso por nome.
Nas tabelas deste site, o valor riscado é o preço linear: quanto aquela quantidade custaria sem desconto por volume. É uma conta que qualquer pessoa refaz multiplicando o preço por mil pela quantidade, e a legenda embaixo da tabela diz exatamente isso. Não é preço antigo, não é promoção com prazo, e não vai virar uma quando o mês virar.
O teste rápido
Antes de comprar em qualquer lugar, faça esta conta:
- divida o total pela quantidade do menor pacote;
- divida o total pela quantidade do maior;
- compare.
Se o segundo número não for menor que o primeiro, a escada de desconto daquele catálogo não desconta nada — e o "quanto maior, mais barato" escrito ao lado é só texto.
Pronto para começar?
Preço por unidade impresso em cada lote, prazo declarado antes da compra e nenhuma senha pedida — em nove redes.
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